A carta de Tiago - Estudo versículo por versículo
A carta de TIAGO
MATURIDADE ESPIRITUAL
Livro de Tiago.
Comentário Bíblico Expositivo versículo por versículo por Rodrigo N. Ferreira.
INTRODUÇÃO
A melhor maneira de dar início a um estudo sobre a epístola de Tiago seja respondendo a três perguntas importantes:
1. Quem foi Tiago?
2. Para quem Tiago escreveu?
3. Por que Tiago lhes escreveu?
1 – Quem foi Tiago?
Tg 1:1 – o autor não se identifica como irmão de Jesus, antes se refere a si mesmo humildemente como “servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”. Porém, este Tiago é o irmão do Senhor.
Existiram muitas pessoas com este nome, Tiago era um nome comum e por isso existem quatro possíveis Tiago que poderia ser o autor, porém acreditamos ser mesmo o irmão do Senhor. (Mt 13: 55,56). Tiago e seus irmão não creram em Jesus durante seu ministério (Jo 7:1-5). No entanto, encontramos os irmãos do Senhor no cenáculo (At 1:14). O que fez mudar da incredulidade para a fé? (I Co 15:7). Depois que Jesus ressuscitou, apareceu a Tiago, assim crendo como sendo o filho de Deus e compartilhou com seus irmãos. Tiago tornou-se o líder da igreja em Jerusalém. Paulo o chama de “coluna”, foi ele quem serviu como moderador na assembleia descrita em Atos (At 15:12-21 - At 21:18,19)
Segundo a tradição, Tiago foi martirizado no ano 62 d.C e diz que os fariseus de Jerusalém adiavam de tal modo o testemunho de Tiago que o jogaram do alto do templo e o espancaram até a morte com porretes. Tiago morreu orando por seus assassinos: “pai, perdoa-lhes, por que não sabem o que fazem”. Igual a Jesus.
2 – Para quem Tiago escreveu?
A carta foi escrita entre o ano 48 á 52 d.C .
Vs 1b – Tiago escreveu a judeus que viviam fora de palestina. O termo “doze tribos” pode significar apenas o povo de Israel. O termo “dispersão” identifica os judeus que moravam fora da palestina – quando os cristãos judeus foram dispersos na primeira onda de perseguição. (At 8: 1-3) Esses judeus Cristãos sofriam a rejeição do povo e a maioria desses cristãos eram podres e eram oprimidos pelos ricos.
3 – Por que Tiago lhes escreveu?
Dentre outras coisas, passavam por grandes provações e enfrentavam tentações. Os membros da igreja competiam por cargos de liderança, especialmente na área do ensino; Uma das principais dificuldades da igreja era que muitos de seus membros não viviam de acordo com sua profissão de fé e a mentalidade mundana; Alguns cristãos estavam desobedecendo à palavra de Deus e alguns estavam se afastando do Senhor e da igreja. No entanto, Tiago não discute uma série de problemas variados. Todos esses conflitos têm uma só causa: A imaturidade espiritual. Os cristãos simplesmente não estavam crescendo.
A imaturidade dos cristãos leva Tiago a escrever a carta sob três perspectivas simples:
1 – Impaciência em meio às dificuldades (1:2-4)
2 – Dizer a verdade, mas não a praticar (2:14-18)
3 – Nenhum controle sobre a língua, brigas e cobiça (3:1,2-6)
Capítulo 1
O título do capítulo 1 é: Paciente em meio à provação. O capítulo 1 está dividido em duas seções: VS 2 – 12 – Provação exterior; VS 13 - 27 – Tentação interior.
· Provação exterior;
Tg 1: 2-12
VS 2 – A perspectiva determina os resultados, e a atitude define as ações. No texto diz que a questão na é se vamos passar por várias provações, mas sim quando isso vai acontecer (Jo 16: 33 - At 14: 22). Não temos que ter medo das provações e sim a ausência delas. Na tradição judaica afirma que as tribulações mostravam a fidelidade da pessoa.
Medimos sua fidelidade pelas provações que você enfrenta. Quanto mais fiel você se torna, mais provações viram sobre você. (II Tm 3: 12)
Na reforma protestante, Martinho Lutero defende a ideia de o Cristão passar por provações. Em suas 95 teses, as últimas duas, Martinho diz: tese 94 – Os cristãos devem se esforçar em seguir Cristo, seu liderem mo a dores, morte e provações do inferno; tese 95 – E assim confiar que entrarão nos céus mediante muitas tribulações em vez de confiar em promessas de segurança de paz.
Não podemos confundir tribulações com problemas de falta de fidelidade – pecado. O pecado não traz tribulação e sim confusão e medo. O pecado não trás crescimento e sim derrotas. Tribulação traz alegria, o pecado depressão; tribulação trás vontade de viver, o pecado trás suicídio; tribulação traz crescimento espiritual, o pecado trás pensamento negativo de si e de outros;
Tg 1: 2 - Segundo o teólogo Wiersbe, ele afirma (p. 435): O verbo “passar” significa “encontrar, se deparar com”. Por certo, o cristão não deve criar tribulações. O termo traduzido por “várias” significa “multicor”. As tribulações da vida não são todas iguais, antes, são como fios multicoloridos que o tecelão usa para formar uma linda tapeçaria. Deus harmoniza e mistura as cores e experiências da vida. O produto final é algo belo e que glorifica a Deus.
VS 3 – Deus sempre nos prova para fazer aflorar o que temos de melhor; satanás nos tenta fim de fazer aflorar o que temos de pior. “Uma vez confirmada, produz perseverança” – se prostrarmos diante das provações, não produziremos a perseverança. Perseverança significa: Capacidade de resistir a nível crescente de provação ou sofrimento. i.e; existe níveis de provações que enfrentaremos. Como se fosse níveis ou fases em um game. Se você parar no nível 1 de tribulação, nunca atingirá o nível 2. Sabe o que vai acontecer? Nunca iremos aprender sobre perseverança. Nossa vida espiritual estará estagnada, nunca cresceremos. (I Pe 1: 6-7 - Rm 8: 28 - II Co 4:17)
VS 4; 9-12 – Quanto mais perseverante me torno, mais obras “ações completa”, não incompleta. Por quê? – porque me torno mais perfeito e integro e em nada deficiente. O teólogo Wiersbe afirma (p. 437): Deus não edifica nosso caráter sem nossa cooperação. O objetivo de Deus para nossa vida é a maturidade. Muitos cristãos fogem da tribulação e, como resultados nunca crescem.
VS 5 – Tiago fica sabendo que o povo estava tendo dificuldade para orar. Estavam passando por varias tribulações, e quando passamos por tudo isso, a primeira coisa que abandonamos é a oração. Aqui Tiago ensina o povo a voltar a orar e pedir sabedoria. Por que não pedir força; graça ou mesmo livramento? Por um motivo: a fim de não desperdiçar as oportunidades que Deus concede de amadurecer na tribulação. Não é retirar a tribulação e sim sabedoria para aprender com ela. A sabedoria ajuda a entender como usar essas circunstâncias para o nosso bem e para a glória de Deus.
VS 6 –7 - Tiago exorta os Cristãos a terem fé no momento da tribulação. Tiago está dizendo – a segurança não está no fato de termos fé somente, mas crer de fato na pessoa de Cristo. i.e; no próprio Deus. Quando passamos por momentos difíceis, nos dizemos que temos fé, mas esquecemos de Deus e muitas vezes, falamos que Deus se esqueceu de nos. Deus é incapaz de abandonarmos. Nos que oscilamos na fé.
VS 8 – “homem de ânimo dobre” significa: a fé diz sim, mas a incredulidade diz não.
VS 12 – Tiago encerra esta seção reforçando o que ele disse no início da carta.
· Tentação interior.
Os versículos 13 a 27. Fala sobre a tentação interior. Essa seção está divida em duas partes: VS 13-18 – A sedução; VS 19-27 – O engano próprio.
A sedução:
VS 13 – Para entendermos isso vamos ler o verso 2, a palavra provação é a palavra Peirasmos no grego significa: Submeter a prova por experimento; teste do caráter. Provação com um propósito e efeito benéficos, ou seja, provação divinamente permitida ou enviada.
Segundo teólogo Winston, “Extrairemos do próprio coração sofrido os meios de inspiração e sobrevivência”. Martin Luther King JR afirma: “A medida máxima de um homem não é o lugar que ele ocupa em momentos de conforto e conveniência, mas o lugar que ocupa em mementos de desafios e controvérsias”.
A pessoa madura é paciente em meio às tribulações. As tribulações apresentam-se na forma de provação exterior e a tentação interior. As tribulações são provas enviadas por Deus e as tentações enviadas por satanás e estimuladas por nossa própria maturidade decaída é desse segundo aspecto das tribulações que Tiago trata nesta seção.
VS 13, 15 – não se deve culpar Deus pelas tentações. Ele e santo demais para ser tentado e amoroso demais para tentar a outros. “Alguém ao ser tentado” aqui a palavra tentado” no grego é peiradzõ. E não peirasmos.
Peiradzõ = sedução; experimentar; fazer uma experiência com; submeter a teste com má intenção.
VS 14 – “somos tentados pela nossa própria cobiça” – Deus nos prova, mas jamais nos tenta. Nós é que transformamos ocasiões em tentações. Cobiças (concupiscência) no grego = epithymia – um anseio especialmente por aquilo que é proibido – desejar intensamente, forte desejo por aquilo que é errado. Exemplo: Você deseja muito um livro, mas não tem dinheiro. Você é tentado a roubar. Provação: você precisa do livro, mas não tem condições de comprar, você aceita e não faz nada para ter. As três piores tentações que destrói uma vida e ou ministério: Poder; Dinheiro e Sexo.
VS 14 – Seduzir no grego significa “coloca a isca no anzol”. – o pescador usa a isca para atrair sua presa. Nenhum peixe morde um anzol vazio de propósito. A tentação sempre tem uma isca que apela para os desejos naturais humanos. Não apenas nos atrai, como também esconde o fato de que a satisfação desse desejo resultará, mais cedo ou mais tarde, em grande tristeza e castigo.
VS 15 – sempre que encaramos tentações, devemos parar de olhar para a isca e voltar nossos olhos para o futuro a fim de enxergar as consequências do pecado, o julgamento de Deus – a morte. O inferno. (Rm 6: 23)
VS 16-18 – segundo o teólogo Wiersbe (p. 443): “uma vez que começamos a duvidar da bondade de Deus, as ofertas de satanás tornam-se atraentes, e os desejos naturais dentro de nós apanham sua isca”. Tiago apresenta quatro fatos sobre a bondade de Deus.
VS 17 – “Toda boa dádiva” – Tudo o que há de bom no mundo vem de Deus. Se não vem de Deus, não é bom. Mesmo que não vejamos de imediato qualquer bondade nessa dádiva, mas resultará em benção depois. “Todo dom perfeito” – podemos traduzir por “todo ato de dar”. É possível dar algo sem amor, mas o presente pode perder seu valo. Mas quando Deus nos dá uma benção, Ele o faz de modo amoroso e cheio de graça, isso é o dom perfeito. “descendo do pai das luzes” – o verbo descendo está no gerúndio e indica algo “descendo continuamente”. As dádivas de Deus não são ocasionais; Ele as concede constantemente. Ele as envia mesmo quando não a vemos. “não pode mudar” – para o Pai das luzes, não há sombras, Ele é a luz. É impossível Deus mudar. Não pode mudar para pior porque é santo; não pode mudar para melhor porque já é perfeito. A luz do sol varia à medida que a terra muda de posição, mas o sol, em si, continua brilhando. Se há sombra entre nos e o Pai, não são causadas por Ele e sim por nos que mudamos de posição. Deus é imutável. Isso significa que não devemos jamais questionar seu amor nem duvidar de sua bondade, quando vêm às dificuldades ou surgem às tentações.
O engano próprio.
Tg 1: 19-27 - A ênfase desta seção é sobre o engano próprio. A realidade espiritual é resultado de um relacionamento sincero com Deus por meio de sua Palavra. Tiago afirma que temos três responsabilidades para com a Palavra de Deus e, se cumprir as três, teremos um relacionamento honesto com Deus e com os irmãos. (1) Receber e aceitar a Palavra; (2) Praticar a Palavra; (3) Compartilhar a Palavra.
1 – Receber e aceitar a Palavra;
VS 19-21 - VS 19 – pronto para ouvir: (Rm 10:17)
O cristão deve aprender a ouvir o que Deus está dizendo – não sabemos ouvir! Damos mais créditos nos noticiários ao invés de acreditarmos nas promessas de Deus reveladas na Palavra. – No contexto, o povo estava dando mais atenção ao que estava acontecendo, as perseguições.
Tardio para falar: o contexto aqui era que a Palavra estava sendo pregada, mas o povo ficava falando coisas contrárias discutindo se a Palavra é verdade, “não discuta com a palavra!”
Tardio para se irar: não devemos nos irar com Deus e nem com a sua Palavra. (PV 14:29 - eu posso até estar certo, mas perco a razão quando me iro). É isso que estava acontecendo com o povo, eles estavam e irando com as injustiças, muitas pessoas tinham morrido na perseguição...
VS 20-21, não tenha ódio de Deus por passardes por provações ou dificuldades. Tiago esta dizendo: “deixe seu coração puro, sem acúmulo de maldade” por que não adianta receber a Palavra de Deus em um coração despreparado.
O que é uma espiritualidade doente? Tentar moldar Deus a você! – se o coração estiver no lugar errado, tudo vai dar errado. A cultura cristã é o ouvir e não o ver. A cobiça vem pelo ver – a espiritualidade vem pelo ouvir. Se Deus tem seu coração, Ele tem você por inteiro. Vida cristã – se arrepender; confessar e largar. Simples assim. – queremos ser igual Adão, quando Deus chamar nos escondemos.
2 – Praticar a Palavra;
VS 22-25
VS 22 – muitas pessoas pensam que só de ouvir um bom sermão o faz crescer não é o ouvir, mas sim o praticar. “muitos cristãos costumam marcar passagens na bíblia, mas nunca marcam a própria vida”
VS 23 – Qual é a razão principal de um espelho? Poder examinar a se mesmo – como está sua aparência. Quem se vê através da bíblia se vê de fato como você é, e não como as pessoas te veem.
VS 24 - 25 – “se esquece de como é a sua aparência” ... isso acontece por 3 motivos: (1) – olha a Palavra de relance – não estuda, leio a Palavra, mas não medito – não estudo. (2) – logo esqueço o que li – ouço a mensagem, mas na segunda não me lembro, ouço na célula, mas logo me esqueço. (3) – não obedeço ao que a Palavra diz – muitos pensam que só basta vir para a igreja, participar dos cultos e na célula que logo sou salvo... Exemplo disso é as pessoas que participam só do culto de fim de ano.
3 – Compartilhar a Palavra;
VS 26 - 27– significa que falo muito e não faço nada. Vou fazer isso e aquilo, mas na verdade sua religião é vã. Discursos vazios e sem propósito.
Capítulo 2
O título do 2 está dividido em duas seções: (1) vs 1 – 13 – Fé e Amor; (2) vs 14 – 26 – Fé e Obras.
· Fé e Amor
Tg 2: 1-13 – O Cristão não apenas é paciente em meio às tribulações, mas também pratica a verdade. Esse é o tema de Tiago 2. Pessoas imaturas falam sobre suas convicções, mas os que têm maturidade colocam sua fé em prática. Ouvir a Palavra de Deus e falar sobre a Palavra de Deus não substituem a aplicação da Palavra. As declarações de fé são boas e úteis, mas não substituem a obediência à vontade de Deus. Nesta seção Tiago examina quatro doutrinas cristãs fundamentais à luz da maneira como tratamos outras pessoas. Fé e amor.
1 – Jesus não fazia acepção de pessoas.
Tg 2: 1-4
VS 1 – “em acepção de pessoas” outra versão diz “demonstrando favoritismo”. Os judeus daquele tempo buscavam reconhecimento e honra e competiam uns com os outros por louvores.
Wiersbe afirma (p. 452): “Quase todas as igrejas tem suas panelinhas, e, com frequência, os recém-convertidos sentem dificuldade de se entrosar. Alguns membros da igreja usam cargos de liderança para realçar sua imagem de importância”. Mt 22:16 – O Senhor não olhava a aparência exterior, mas sim o coração. Não se impressionava com as riquezas nem com a posição social. Nossa tendência é julgar as pessoas por seu passado, não por seu futuro. Mesmo não aprovando os pecadores, Jesus era o amigo dos pecadores. Não era o preconceito, mas sim a compaixão que o levava a receber tais pessoas de braços abertos e a perdoá-las quando criam nEle.
2 – A graça de Deus
Tg 2: 5-7 - A ênfase aqui é sobre o fato de Deus haver escolhido, uma decisão que envolve a sua graça. Se a salvação fosse baseada em méritos, não seria pela graça. A graça deixa implícita a escolha soberana de Deus daqueles que não podem se esforçar para obter nem merecem a salvação que ele oferece. Deus nos salva totalmente com base na obra de Cristo na cruz, não em função de alguma coisa que somos ou temos.
3 – A palavra de Deus
Tg 2: 8-11
VS 8 - Tiago vai ao A.T buscar uma lei de Deus: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19:18). Em sua parábola do bom samaritano, Jesus diz que o próximo é qualquer pessoa que precisar de ajuda (Lc 10: 25-37). Não se trata de uma questão de distância, mas sim de oportunidade. A pergunta importante não é “quem é o meu próximo?”, mas sim “a quem eu posso ser o próximo”.
O que é Lei régia? (Vine) – Lei real; que pertence a um rei; leis dos reis. Significa que é uma lei que rege outras leis, porque vem de uma autoridade máxima. A lei de Deus é uma lei régia. Lei de Deus porque não tem parcialidade ou favorecimento de ricos ou influentes. A lei régia - VS 8-9
4 – O julgamento de Deus
Tg 2: 12,13 - Toda declaração ortodoxa (tradicional) de fé termina com uma afirmação sobre a volta de Jesus e o julgamento final sob a visão de três julgamentos: Nossas palavras serão julgadas; Nossos atos serão julgados e Nossas atitudes serão julgadas.
· Fé e Obras.
Tg 2: 14 – 26 - A fé é uma doutrina-chave da vida cristã. O pecador é salvo pela fé (Ef 2:8,9). E o cristão de viver pela fé (II Co 5:7). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6), e tudo o que fazemos sem fé é pecado (Rm 14:23). Alguém disse que ter fé não é “crer apesar das evidências, mas sim obedecer apesar das consequências”. Que tipo de fé salva uma pessoa? É necessário realizar boas obras a fim de ser salvo? De que forma maneira uma pessoa pode saber se está, de fato, exercitando a verdadeira fé salvadora? Tiago responde estas perguntas explicando que existem três tipos de fé: A fé morta; a fé demoníaca; a fé dinâmica.
A fé morta
Tg 2: 14-17
VS 14 – Até mesmo na igreja primitiva havia quem afirmasse ter a fé salvadora sem, no entanto, ser salvo (Mt 7:21). Wiersbe afirma (p. 457): “As pessoas com a fé morta colocam palavras no lugar de atos”.
VS 15 – A pessoa com a fé morta observa o visitante e vê suas necessidades, mas não faz coisa alguma para supri-las. Alimentos e roupas aqui descritos por Tiago também significa “a necessidade básica como: atenção, carinho, afeto ou simplesmente ‘eu me importo com você’”. (Gl 6: 10 - I Jo 3:17,18)
VS 16-17 - Aquele que nunca é visto nas obras práticas ou qualquer declaração de fé que não redunde em mudança de vida e em boas obras é uma fé morta.
A fé demoníaca
Tg 2: 18,19
Vs 19 – Crer e tremer não são experiências que produzem salvação. Uma pessoa pode ser esclarecida em sua mente a até tocada em seu coração e, ainda assim, perder-se para sempre sua salvação. Os demônios creem e tremem e nem por isso são salvos.
Vs 18 - A verdadeira fé salvadora envolve uma vida transformada.
A fé dinâmica
Tg 2: 20-26 - Essa fé é real, tem poder e redunda em uma vida transformada. O valor da fé é diretamente proporcional ao valor de seu objeto. O homem pode curva-se diante de uma imagem de escultura crendo que este pode ajudá-lo, mas não recebe ajuda alguma, por mais fé que uma pessoa seja capaz de gerar, se não for dirigida para a pessoa certa, não realizará coisa alguma. “eu creio” pode ser o testemunho de muitas pessoas sinceras, mas as grandes perguntas são: “em quem você crê? Em que você crê?” não somos alvos pela fé na fé; somos salvos pela fé em Cristo, conforme revelado em sua palavra. O fato de falar que tenho fé, não me salvará, mas sim em quem tenho fé.
Eu recebi uma frase em um fly por whatsapp que dizia: “Tenha fé, seja forte e nunca perca a confiança em Deus”. Se tenho fé, tem que ser em Deus e aqui no texto está dizendo duas coisas, “tenha fé e tenha confiança em Deus”, então a fé é em quem? Fé e confiança não são as mesmas coisas? Se fé e confiança estão separadas, então minha fé é em uma coisa e confiança em outra. Ter fé na fé e não em Deus. Isso é misticismo e nunca uma fé genuína em Deus.
Capítulo 3
O capítulo 3 – O controle da língua. Tiago explicou duas características do cristão maduro. Cap 1 – ser paciente em meio ás tribulações; Cap. 2 praticara verdade; aqui no cap. 3 Tiago fala sobre o controle da língua.
O poder das palavras é um dos maiores poderes que Deus deu. O ser humano pode usar a língua para louvar a Deus, orar, pregar e levar os perdidos a Cristo. Um privilégio e tanto. Mas também é capaz de usar a mesma língua para contar mentiras que podem arruína a reputação de uma pessoa ou magoá-la profundamente. Warren Wiersbe disse (p. 462): “A capacidade de proferir palavras corresponde à capacidade de influenciar a outros e de realizar tarefas grandiosas; no entanto, não lhe damos o devido valor” O Cap. 3 está dividido em três seções: (1) vs 1-2 - Exortação; (2) vs 3-12 - Ilustração; (3) vs 13-18 -Aplicação.
Tg 3: 1-12
· Exortação
Vs 1-2 – Ao que parece, todos na congregação desejava ensinar e ser líderes espirituais, pois Tiago os adverte. Não que ensinar seja ruim ou algo assim. As motivações deles não eram de fato o ensino, mas sim o glamour que isso aparentemente dá. A posição e não o coração naquilo. Talvez estivessem impressionados com a autoridade e o prestígio dos cargos de liderança, esquecendo a tremenda responsabilidade e a prestação de contas que implicam. Os que ensinam a palavra serão julgados com maior rigor.
· Ilustração
A fim de deixar clara a importância de ser controlado no falar e de mostrar as consequências sérias de nossas palavras, Tiago apresenta três imagens para a língua. (1) – o freio e o leme; (2) – o fogo e o animal; (3) – uma fonte e uma árvore.
1 – o freio e o leme;
Vs 3 – Porque se a língua pecar, leva o corpo inteiro, assim como os freios na boca do cavalo, porque palavras leva a atos. Você é direcionado por aquilo que você diz. O que você anda dizendo? é por aí que você vai andar. Uma frase dos anos 40, na segunda guerra mundial dizia assim: “Palavras impensadas podem afundar navios”
Vs 4 – Um pequeno freio permite que o cavaleiro controle um grande cavalo, e um pequeno leme permite que o timoneiro controle um navio enorme. Warren Wiersbe afirma (p. 463): “O freio deve superar a natureza selvagem do cavalo, e o leme deve lutar contra os ventos e correntes que poderia tirar o navio de seu curso. A língua também deve superar forças contrárias. Temos uma vela natureza que deseja nos controlar e nos fazer par. Somos cercados de circunstâncias que poderiam nos levar a dizer coisas indevidas”. Tanto o freio quanto o leme devem estar sob o controle de uma mão forte experiente assim como o cavaleiro e o timoneiro.
2 – o fogo e o animal;
Vs 5-8 – as palavras podem começar incêndios. (Pv 26: 20-23). Uma cabeça quente e um coração ardente podem levar as palavras inflamadas das quais nos arrependeremos posteriormente. O tempo não corrige os pecados da língua! Podemos confessar os pecados que cometemos com as palavras, Deus nos perdoa, mas o fogo continua as alastrando.
3 – uma fonte e uma árvore.
Vs 9-12 – A fonte oferece água fresca da qual o ser humano precisa para sobreviver. (Pv 10: 11 - Pv 13:14). Como a água, nossas palavras também podem dar vida, mas se não for controlada, a água pode causar morte. (Pv 18:21)
· Aplicação
Tg 3: 13-18
Vs 13,14 - A sabedoria era algo importante para o povo judeu. Entendiam que não bastava ter conhecimento, mas que também era preciso ter sabedoria, a fim de aplicar esse conhecimento de maneira correta. Todo mundo já encontrou um individuo extremamente inteligente, talvez quase um gênio, mas quem, no entanto, não consegue realizar alguma tarefa mais simples da vida. Tiago continua a exortar os membros da congregação que desejavam ser mestres da Palavra (vs 1). Não basta simplesmente se colocar diante das pessoas e falar; é preciso ter algo a dizer.
Vs 14-15 - A sabedoria do alto, a saberia de Deus, opera de maneira inteiramente distinta da sabedoria “terrena, animal e diabólica”. Uma vez que se originam de duas fontes distintas, é lógico que operem de maneiras opostas. Que elementos indicam a presença de tal sabedoria falsa?
Vs 14a – inveja; essa palavra tem o sentido de ambição egoísta. Esta sabedoria diz: “promova a si mesmo”
Vs 14b – contenda; o termo traduzido por sentimento faccioso significa “partidarismo”. Era usado pelos gregos para descrever um político em campanha para obter votos. (Fl 2:3)
Vs 14c – vanglória; o orgulho deleita-se na vanglória, e nada mais cheio de orgulho do que a sabedoria humana. (II Co 10:12). Quando a sabedoria de Deus opera, há um sentimento de humildade e de submissão e o desejo de que Deus receba toda a glória. Não há desejo algum de nos comparar a qualquer outro cristão, pois vemos somente a Cristo – e, comparados com ele, todos ainda temos muito a aprender!
Vs 14d – dolo; a sequência não é difícil de entender. Primeiro, há ima ambição egoísta que conduz ao partidarismo e a rivalidade. A fim de “ganhar as eleições”, recorre-se à vanglória que, por sua vez, normalmente envolve mentiras. A vida de um homem não é descrita em seu perfil nas redes sociais, antes é vista pelo Senhor em seu coração. (I Co 4:5)
Vs 15 - A verdadeira sabedoria vem do alto, enquanto a falsa é terrena. Em outras palavras, existe uma sabedoria celestial que vem do alto e uma sabedoria que não vem do alto. Tudo o que não vem de Deus é fadado ao fracasso, por mais bem-sucedido que possa parecer por algum tempo.
Warren Wiersbe afirma (p. 469): “Uma vez que o mundo afastou-se de Deus, perdeu a sabedoria. Todo aumento do conhecimento humano serve apenas para amplificar os problemas.”
Vs 16 – 18 - A origem determina o resultado. A sabedoria do mundo produz resultados mundanos; a sabedoria do alto produz resultados espirituais.
Vs 16 - Inveja, contenda, confusão, obras malignas... ao que parece, Deus não estava operando nessa congregação. O termo traduzido por confusão significa “desordem resultante de instabilidade”. A confusão prepara o terreno para “toda espécie de coisas ruins”. Um ministério que opera segundo a sabedoria deste mundo pode parecer grande e bem-sucedido, mas se torna instável, confuso ou confusão.
Vs 18 - Existe uma grande diferença entre os resultados produzidos por mãos humanas e os frutos dados por Deus. O cristão que segue a sabedoria de Deus semeia a justiça, não o pecado; semeia a paz, não a guerra. Warren Wiersbe disse (p. 473): “Somos o que vivemos, e o que vivemos é o que semeamos”. Se vivermos segundo a sabedoria do mundo, semearemos pecado e guerra e colheremos “confusão e toda espécie de coisas ruins”. Semeamos paz, porque promovemos a paz que temos da parte de Deus, pois andamos segunda a sabedoria do alto.
Capítulo 4
O capítulo 4 – Seja um pacificador e não um agitador
Tiago explicou três características do cristão maduro. Cap 1 – ser paciente em meio às tribulações; Cap. 2 praticara verdade; cap. 3 o controle da língua; agora aqui no capítulo 4 e ele falar que o cristão precisa ser um pacificador e não um agitador.
O capítulo 4 está dividido em três seções: (1) vs 1-10 - O mundo e Deus; (2) vs 11-12 - julgamento alheio; (3) vs 13-17 - Autoconfiança proveniente do pecado.
· O mundo e Deus
Tg 4: 1-10 - Neste parágrafo Tiago trata desse tema importante e mostra que existe três guerras em andamento no mundo.
1 - Em guerra uns com os outros
Vs 1 - Por certo os irmãos devem viver juntos em amor e harmonia e, no entanto, com frequência não é isso o que acontece é triste ver o Santos guerreando entre si um líder contra outro ou uma denominação contra outra uma congregação contra outra o mundo vê essas guerras religiosas e diz vejam como se odeio. (João 17: 21 - Efésios 6: 12). Precisamos defender a teologia e não atacar as pessoas. Por que estamos em guerra um com os outros? Pertencemos à mesma família, cremos no mesmo Salvador, temos dentro de nós o mesmo espírito e, no entanto, lutamos um com os outros.
2 - Em guerra com nós mesmos
Vs 1-3 - A guerra no coração contribui para causar as guerras na igreja. Os desejos egoístas são perigosos e nos levam a fazer coisas erradas e até mesmo a orar de maneira errada. Quando oramos de forma incorreta mostramos que nossa vida cristã como um todo está errada.
Warren Wiersbe afirma (p. 475): Quem está em guerra consigo mesmo por causa de desejos egoístas é sempre infeliz, nunca aproveita a vida. Em vez de ser grato pelas bênçãos que tem, queixa-se das que não tem. Não consegue entender-se com os semelhantes, pois sempre inveja os outros por aquilo que possui ou está sempre à procura de algo especial que transformará a sua vida quando na verdade o problema está dentro do próprio coração. E ainda cita Robert Law: “Orar não é insistir para que a vontade do homem seja feita no céu, mas sim que a vontade de Deus seja feita na terra”.
3 - Em guerra com Deus
A raiz de toda guerra interior ou exterior é a rebelião contra Deus. No começo da criação vemos perfeição e harmonia, mas o pecado entrou no mundo e deu início aos conflitos de maneira que um cristão declara guerra contra Deus ao ter amizade com os inimigos de Deus.
Vs 4 - O mundo se refere obviamente a sociedade humana sem Deus o sistema todo das coisas nessa sociedade em que vivemos e qual é contrário a Cristo e a Deus. O cristão envolve-se com o mundo aos poucos, primeiramente vem a amizade do mundo de modo que certas áreas da vida passaram a receber a aprovação do mundo. Quem tem amizade com o mundo passa a amar o mundo o que por sua vez torna fácil conformar-se com o mundo. O triste resultado é ser condenado com o mundo. Exemplo: Se sinto a necessidade de ouvir música secular é uma prova que estou bem longe de Deus pois se estou perto de Deus só quero ouvir sobre Ele e falar sobre Ele. A música secular foi feita para o mundo, não foi feita para Deus.
Vs 5-6 - O maior pecado de satanás é o orgulho que ele também usa com uma de suas principais armas na guerra contra os Santos. Warren Wiersbe afirma (p. 477): “Deus deseja que sejamos humildes. Satanás deseja que sejamos orgulhosos. Deus quer que sejamos dependentes da sua graça enquanto diabo quer que sejamos dependentes de nós mesmos”.
Vs 7 - Sujeitai-vos a Deus trata-se de um termo militar que significa colocar-se no devido lugar dentro de uma hierarquia. Enquanto não entregarmos a Deus todas as áreas da vida, continuaremos sempre vivendo em conflito. Satanás precisa de um ponto de apoio em nossa vida para nos fazer lutar contra Deus, e por vezes, nós lhe damos esse apoio. A fim de resistir ao diabo, devemos nos sujeitar a Deus.
Vs 8 – Chegai-vos a Deus. Wiersbe cita (p. 478) que W. Tozer escreveu um ensaio profundo sobre esse assunto: “Quanto mais semelhante somos a Deus, mais próximos estamos dele. Posso estar sentado na sala com meu gato siamês no colo, enquanto minha esposa está a 7 m de distância na cozinha e, ainda sim estou mais perto dela do que do gato, pois o gato é diferente de mim, temos muito pouco em comum.” Em sua bondade, Deus aproxima-se de nós quando tratamos do pecado em nossa vida, pois, de outro modo, esse pecado o manteria longe de nós. Ele não divide os seus com ninguém; deve ter controle absoluto. O cristão de mente dobre não pode aproximar-se de Deus.
Vs 9-10 - É possível sujeitar-se exteriormente sem se humilhar interiormente. Deus abomina o pecado do orgulho. Às vezes o cristão ora: “Senhor, torna-me humilde!” É muito melhor humilhar-se diante de Deus confessando os pecados, chorar sobre eles e se arrepender deles.
· Julgamento alheio
Tg 4: 11-12 - Falar contra os outros é julgá-los com maldade. Isso vai contra a “lei real” onde Tiago já explicou (2:8)
Tg 2:8 - O que é Lei régia? (Vine) – Lei real; que pertence a um rei; leis dos reis. Significa que é uma lei que rege outras leis, porque vem de uma autoridade máxima. A lei de Deus é uma lei régia. Lei de Deus porque não tem parcialidade ou favorecimento de ricos ou influentes. Julgar um irmão é ir contra a lei de Deus. O autor da lei também é aquele que julga de acordo com a lei, portanto, jamais teremos direito de julgar outros membros da igreja. O que significa julgar os irmãos? É se fazer juiz contra ele, julgando-o de acordo com a lei de sua interpretação pessoal.
Vs 11-12 – Superioridade à lei pertence a Deus somente. Ele é o Legislador e Juiz, e nas mãos dEle estão as questões da vida e morte. À vista disto, Tiago pergunta: quem somos nós, para julgar o próximo?
· Autoconfiança proveniente do pecado.
Tg 4: 13-17
Tiago começa o capítulo 4 falando da guerra contra Deus - O mundo e Deus, depois fala sobre o julgamento alheio e o encerra falando da autoconfiança. Mas os três temas são relacionados quando um cristão está fora da vontade de Deus em vez de ser pacificador torna-se um agitador.
Nesta seção da sua carta, Thiago ressalta três atitudes (1) Ignorar a vontade de Deus; (2) Obedecer a vontade de Deus; (3) Desobedecer a vontade de Deus. É evidente que somente uma delas é a atitude correta que todo cristão deve cultivar.
· Ignorar a vontade de Deus.
Talvez Tiago estivesse dirigindo aos comerciantes ricos da congregação. É possível que discutissem seus negócios e que se vangloriar sem de seus planos. Não há evidência alguma de que buscassem a vontade de Deus nem de que orassem sobre suas decisões. Tiago apresenta três argumentos que revelam a insensatez de ignorar a vontade de Deus.
I - A complexidade da vida
Vs 13 - A vida é extremamente complexa: o hoje, ou amanhã, comprar, vender, ter lucro ou prejuízo... A vida é feita de pessoas e lugares, de atitudes e objetivos, de dias e anos, e todos precisam tomar várias decisões cruciais diariamente. Fora da vontade de Deus, a vida é um mistério. Quando aceitamos a Jesus Cristo e procuramos obedecer a sua vontade, a vida começa a fazer sentido. Não se vive mais em um universo misterioso e ameaçador, pois sabemos que ele pertence ao Pai.
II - A incerteza da vida
Vs 14 - A vida não é incerta para Deus, mas o é para nós. Só estaremos seguros do amanhã se estivermos dentro da vontade de Deus, pois sabemos que o Senhor nos conduz.
III - A fragilidade do ser humano
Vs 16 – Jactância do grego: “gloriar-se; se achar grande coisa; erguer o pescoço (querer ser maior que o outro); jactar-se, orgulhar-se” – os manuscritos mais autênticos têm as duas palavras separadas. Indica qualquer tipo de linguagem altiva que incita discussão ou provocação querendo ser melhor que o outro. Isso é maligno!
· Obedecer a vontade de Deus.
Vs 15 – “Se o Senhor quiser” não dever ser apenas uma declaração que o cristão faz de boca para fora, mas sim uma atitude constante de coração. (Jo 4:34). Deus não revela sua vontade aos curiosos e aos indiferentes, mas sim aos que estão prontos e dispostos a obedecer a Ele. É nesse ponto que entra em cena a sabedoria espiritual. Também é preciso experimentar a vontade de Deus. O termo grego experimentar significa provar por experiência. Aprende-se a determinar a vontade de Deus ao colocá-lo em prática. Quanto mais se obedece, mais fácil será descobrir o que Deus deseja que façamos. Como descobrir a vontade de Deus para minha vida? Pode estar declarando que nunca experimentou a vontade de Deus. Deve se começar com que sabemos que deve ser feito e obedecer. Então Deus abre o caminho para o passo seguinte. Prova-se por experiência qual é a vontade de Deus. Aprende-se tanto pelo sucesso quanto pelo fracasso. O segredo de uma vida feliz é deleitar-se no dever. Quando o dever se tornar um prazer os fardos transformam-se em bênçãos.
· Desobedecer a vontade de Deus.
Vs 17 - Essas pessoas conhece a vontade de Deus, mas escolhe desobedecer. Tal atitude expressa ainda mais orgulho do que a primeira, pois a pessoa diz a Deus: “Sei o que o Senhor deseja que faça, mas prefiro não obedecer. Entendo mais do assunto que o Senhor!” (II Pe 2:20,21)
Outro motivo é a ignorância do ser humano acerca da natureza da vontade de Deus. As pessoas agem como se a vontade de Deus fosse algo a ser aceito ou rejeitado. Na verdade, a verdade de Deus não é uma opção, mas sim uma obrigação. Devemos obedecer a Deus porque Ele é o nosso criador, e nós, somos as criaturas, ele é o Salvador e Senhor e nós somos seus filhos e servos. Desobedecer à vontade de Deus pode não parecer algo muito sério hoje, mas parecerá extremamente sério quando o Senhor voltar e examinar nossas obras. (Cl 3: 22-25).
Capítulo 5
O capítulo 5 – Orar em meio aos problemas.
O cap. 5 está dividido em três seções: (1) vs 1-6 - O dinheiro fala mais alto; (2) vs 7-12 - o poder da paciência; (3) vs 13-20 - oração do justo.
Tiago dirige esta carta aos homens ricos, e que suas riquezas eram pecaminosas. Usavam seus bens para propósitos egoístas e, enquanto isso perseguia os pobres. Neste último capítulo, Tiago fala da quinta característica do cristão maduro: ele ora em meio às dificuldades. Em vez de entregar os pontos quando vêm os problemas, o cristão maduro volta-se para Deus em oração e busca o auxílio divino. A pessoa imatura confia nas próprias experiências e capacidades ou se volta para outros em busca de ajuda. Apesar de ser verdade que Deus muitas vezes supre nossas necessidades por meio de outros, esse auxílio deve ser resultado de oração.
· O dinheiro fala mais alto
Tg 5: 1-6 - Tiago não diz que é pecado ser rico, sua preocupação é o egoísmo dos ricos.
Vs 1 – Os ricos pensavam que seus bens lhes concediam toda segurança de que precisavam, mas não era assim que Deus via a situação. Tiago descreve as consequências do uso indevido das riquezas em três aspectos:
1 - Elas desaparecerão:
Vs 2 - É um grande erro pensar que as riquezas proporcionam segurança. (I Tm 6: 17). Tiago ao dizer que as riquezas são corruptas, e as vossas roupagens comidas de traça, é o fato de que a vida é breve e de que não levaremos essas riquezas conosco, vemos como é insensato viver em função das coisas deste mundo.
2 – Se usadas indevidamente, corrompem o caráter:
Vs 3 - Trata-se de um julgamento no presente: foram infectados pelo veneno das riquezas e estão sendo devorados vivos. O dinheiro em si não é pecaminoso, mas o amor ao dinheiro. (I Tm 6:10).
3 – O julgamento é certo:
Vs 4-6 – Tiago não vê apenas o julgamento presente, mas também um julgamento futuro diante de Deus. Jesus Cristo será o juiz (vs 9) e o seu julgamento será justo. Os salários dos trabalhadores testificarão contra eles (vs 4). Os ricos não terão oportunidade de subornar as testemunhas nem o juiz. Deus ouve as súplicas dos oprimidos e julga com justiça. Devemos aproveitar a oportunidade e trabalhar enquanto é dia. Não é difícil imaginar todo bem que essas riquezas acumuladas poderiam ter feito. Havia pessoas pobres na congregação que teriam sido ajudadas. Havia trabalhadores que mereciam seus salários.
Warren W. Wiersbe afirma (p. 488): “É bom ter as coisas que o dinheiro pode comprar desde que também tenhamos o que o dinheiro não pode comprar. De que adianta ter uma mansão se ela não é um lar? De que adianta uma aliança de brilhante quando não há amor?” Tiago não condena as riquezas nem os ricos; antes, condena o uso de suas riquezas como armas, não como instrumentos de edificação.
· O poder da paciência
Tg 5: 7-11 - Thiago continua dirigindo-se aos santos aflitos quando diz: “Sede, pois, irmãos, pacientes” (vs 7) Esse é o seu conselho no início da carta: Tg 1: 1-5
Tg 5: 7 - Deus só corrigirá todas as injustiças deste mundo quando Jesus Cristo voltar, e nós, cristãos, devemos suportar e esperar com paciência. Tiago lembra que o Senhor voltará, e é preciso suportar com paciência as dificuldades e aflições até a volta de Cristo. (Tt 2: 13 - Jo 16: 33 - At 14: 22).
Thiago usa duas palavras diferentes a se referir à paciência e a perseverança.
Vs 7; 8 e 10 - encontramos o termo “paciência”. Ter paciência quer dizer: “ficar firme no mesmo lugar, quando se deseja fugir”. No dicionário Vine, paciência do grego hupomone, significa permanência embaixo de; A paciência que só se desenvolve nas provas; Que deve ser entendido nas provas que sobrevêm ao serviço no Evangelho; Sob castigo, que é a prova considerada a vir da mão de Deus, sob aflições imerecidas. Muitos estudiosos da língua grega acreditam que ter paciência é o mesmo que longanimidade, (ser longânime), que significa ser paciente com respeito às pessoas. No convívio com as pessoas, passamos pela prova do relacionamento e com isso aprendemos a ter paciência.
Vs 11 - O termo “perseveraram” significa no grego literalmente, permanecer; sujeito a; se referir a perseverança mesmo sobre grande pressão;
Vs 12 – Alguns eruditos acreditam que este versículo não tem nenhuma ligação dos outros versículos. Quando Tiago diz, “acima de tudo” é provavelmente uma ênfase de um assunto em discussão: não é irreverência, mas a honestidade. “Não jureis nem pelo céu e nem pela terra...” isto é, abstenham-se de todos os juramentos, eles enfraquecem o senso de obrigação do homem de falar a verdade em todas as ocasiões; habituem-se a um simples “sim” ou “não”.
· oração do justo
Tg 5: 13-20 - Nesta seção, Tiago nos incentiva a orar descrevendo quatro situações nas quais Deus responde as orações.
1 – Orar em aflições:
Vs 13 - Sofrendo ou alegre, devemos orar. O termo “sofrendo” significa “padecendo em circunstâncias difíceis”. Isso remete ao entendimento no inicio da carta, (Tiago 1:2). O teólogo Warren Wiersbe afirma (p. 494): A oração pode remover a aflição, se essa for à vontade de Deus. Mas a oração também pode dar a graça necessária para suportar as dificuldades e usá-las para realizar a vontade de Deus. Tiago indica que as pessoas não enfrentam dificuldades o tempo todo: “Está alguém Alegre cante louvores”; Deus dá equilíbrio a vida e permite tanto momentos de sofrimento como dias de cântico. O cristão maduro sabe cantar em meio ao sofrimento.
2 – Orar pelos enfermos:
Vs 14 - “Presbíteros” aqui significa os crentes experientes, pessoas não novas convertidas; não neófitos. Significa pessoas com cargo de liderança na igreja. Os presbíteros exerciam várias funções dentro da igreja primitiva; eles deveriam ungir o doente com óleo e orar sobre ele. O óleo de oliva era usado como medicamento no mundo antigo, mas para Tiago, o que curava era a oração em nome de Jesus. Ele usa o medicamento, mas acredita que é o poder da oração que cura o enfermo. A cura não se dá pela unção, mas sim pela oração. O termo grego traduzido por “ungindo-o” é um termo médico e pode ser traduzido por massagear; ungir; remédio; talvez seja uma indicação de que Tiago sugere o uso de meios disponíveis para a cura além de orar pedindo ao Senhor o seu toque divino. O que entendemos é que Deus deseja que usemos os medicamentos. Alguns anos atrás, essa ideia de usar remédio e ter fé eram duas coisas distintas. Tiago nos ensina que devemos fazer o uso dos remédios e orar. Oro e tomo os remédios.
Vs 15 - A oração da fé é oração oferecida quando estamos dentro da vontade de Deus. Os presbíteros buscavam a vontade de Deus quanto a essa questão e em seguida oraram de acordo com tal vontade.
Vs 16 - A “confissão” sobre qual Tiago escreve é feita entre os santos. Os pecados devem ser confessados primeiramente a Deus, mas também ao que foram afetados por eles. (I Jo 1:9). Jamais se deve confessar um pecado fora do seu círculo de influência, o pecado privado requer confissão privada o pecado público requer confissão pública. É errado cristão “lavar a roupa” suja em público, pois esse tipo de confissão pode acarretar mais malefícios do que o pecado cometido inicialmente.
3 - Orações pelas Nações
Vs 17 - 18 - Elias não apenas orou com fé como também foi persistente. Elias continuou orando por chuva até o servo relatar que havia visto uma nuvem como a palma da mão do homem; muitas vezes não obtemos o que Deus promete porque paramos de orar, é evidente que não somos ouvidos por causa do nosso muito falar. (Mt 6: 7 - Mas há uma diferença entre vãs repetições e verdadeira persistência na oração pela fé).
“E orou” a tradução literal do termo grego é: orou em oração. Muitas pessoas não oram em suas orações; muitas pessoas apenas preferem preguiçosamente uma série de palavras religiosas sem sinceridade. Elias orou por sua nação e Deus atendeu. Precisamos orar por nossa nação hoje pedindo que Deus a convença do pecado e traga reavivamento e para que a terra seja regada com chuva de benção.
4 - Orações pelos desviados
Vs 19-20 - Esses versículos tratam do nosso ministério a um irmão em Cristo que se desvia da verdade e passa a viver em pecado. O verbo desviar significa “perambular” e sugere um afastamento gradativo da vontade de Deus. Infelizmente vemos essa tragédia ocorrendo em nossas igrejas com frequência. Normalmente o pecado é resultante de decadência espiritual lenta e gradativa. Um transgressor desviado pode influenciar outros e afastar a muitos do Senhor. É por isso que os membros espirituais da igreja devem intervir e ajudar a pessoa que se desviou, se o cristão não permanecer próximo da verdade começará a se desviar. (Hb 2:1).
O resultado desse desvio é o pecado e possivelmente a morte, o que fazer ao ver o irmão em Cristo desviar-se da verdade: sem dúvida deve-se orar por ele e procurar ajudá-lo, ele precisa ser convertido, mudar de rumo tomando novamente o caminho certo.
CONCLUSÃO
Com isso chegamos ao fim do estudo da epístola de Tiago sua ênfase foi sobre a maturidade espiritual.
Este pode ser um bom momento para examinar o próprio coração e verificar como está a nossa maturidade.
Ao final deste estudo estamos aptos a responder a estas perguntas:
1 - Estou me tornando cada vez mais paciente em meio às tribulações da vida?
2 - Brinco com a tentação ou lhe resisto desde o princípio?
3 - Alegro-me em obedecer à palavra de Deus ou simplesmente a estudo e aprendo dela intelectualmente?
4 - Estou preso em algum tipo de preconceito?
5 - Sou capaz de controlar a língua?
6 - Sou um pacificador, não agitador? As pessoas me procuram em busca de orientação espiritual?
7 - Sou amigo de Deus ou do mundo?
8 - Faço plano sem considerar a vontade de Deus?
9 - Tratando-se de dinheiro sou egoísta, sou fiel no pagamento das contas?
10 - Dependendo naturalmente da oração quando me encontram dificuldade?
11 - Sou a pessoa que outras buscam para pedir apoio em oração?
12 - Qual é a minha atitude em relação ao irmão desviado? Critico, faço fofocas a seu respeito ou procuro restaurá-lo em amor?
Não devemos apenas envelhecer, mas sim crescer.
Pr. Rodrigo N. Ferreira - Março de 2019
BIBLIOGRAFIA
Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: volume II / Warren W. Wiersbe; traduzido por Susana E. Klassen. – Santo André, SP: Geográfica editora, 2006.
Comentário Bíblico: Vida Nova / D. A. Carson – São Paulo: Vida Nova, 2009.
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